FELIPE GUERRA-RN E SUA FUNDAÇÃO
“Uma história construída por todos”
O Município de Felipe Guerra-RN tem como seu primeiro fundador o Tenente Manoel João de Oliveira, pois ele chegou a essa paragem por volta do ano de 1768 e edificou a primeira casa no Sítio Brejo do Apodi. O Tenente Manoel João de Oliveira era um cidadão de elevado prestígio em toda a província do Rio Grande do Norte. No ano de 1788, foi Procurador na Vila Portalegre-RN; em 1790, ocupou o cargo de vereador no Senado da Câmara, e em 1795, exerceu o cargo de juiz ordinário no Senado da Câmara em Portalegre-RN. Tenente Manoel João de Oliveira era natural de Assú/RN, filho de Manoel da Costa Travassos e Leandra Martins de Macedo. Ele era casado com a senhora Maria de Jesus Fernandes Pimenta. O casal teve uma grande prole. Antônio Francisco de Oliveira, casado com Quitéria Gurgel do Amaral. Esse casal são os pais de Jesumira Gurgel de Oliveira, esposa do Coronel Tibúrcio Valeriano Gurgel do Amaral.
Tibúrcio Gurgel do Amaral e sua esposa, Jesumira Gurgel de Oliveira, chegaram à fazenda Brejo do Apodi por volta de 1868. Construíram à margem esquerda do Rio Apodi sua casa senhorial, com maciças paredes de tijolos e pedras, um vasto sótão sobre carnaubeiras seculares e altas calçadas de lajes calcárias. A casa de Tibúrcio era uma robusta mansão dos tempos coloniais edificada nas selvas do nosso “sertão”, desafiando o futuro e as gerações vindouras. Ali, instalando-se com sua mulher e, em seguida, seus filhos, tratou de aproveitar as terras férteis com o plantio de cana-de-açúcar, fruticultura, arroz da terra e criação de gado. Com o crescimento da prole e o consórcio de seus filhos e agregados, a terra foi sendo trabalhada e habitada, tendo a orientar seu crescimento, além da edificante educação paterna, os estudos e conhecimentos de sua descendência. Logo, eles se destacaram nas letras e na política. Por esse trabalho, a fazenda Brejo aos poucos se desenvolveu, graças ao trabalho fecundo, estudos e boa vontade em favor da terra que, ao lado de sua esposa, fincaram o primeiro marco do progresso.
A região teve sua primeira escola na casa do Coronel Tibúrcio Valeriano Gurgel do Amaral, tendo como primeiro professor, de forma não remunerada, Felipe Neri de Brito Guerra. Posteriormente, o Coronel Tibúrcio contratou o mestre-escola, professor Astério Dantas, natural do município de Campo Grande/RN, para dar aula aos nativos, sendo este o primeiro professor de forma remunerada. Tempos depois, ele foi substituído pelo professor Genésio Dantas, do Apodi, que continuou na nobre e humilde missão de mestre-escola, preparando os homens do futuro.
FUNDAÇÃO DO DISTRITO DE PEDRA DE ABELHA
As constantes cheias que atingiram o Brejo do Apodi fizeram com que o jovem Tilon Gurgel do Amaral, filho do Coronel Tibúrcio Valeriano Gurgel do Amaral, decidisse construir no ano de 1901 a primeira casa de alvenaria na região da Pedra, que mais tarde passou a se chamar Pedra de Abelha. Ao construir sua casa na região Alta, ou na Pedra, Tilon Gurgel imediatamente colocou um pequeno comércio, visto que o lugarejo passou a ser um pouso obrigatório para os comboieiros da região oeste, que desciam com destino à cidade de Mossoró. Com o passar dos anos, Tilon Gurgel colocou uma beneficiadora de arroz, uma descaroçadora de algodão e um alambique, e em seguida construiu um armazém para a compra de algodão, peles, arroz, mel de abelhas e cera de carnaúbas. Com o comércio e a pequena indústria em desenvolvimento, diversos habitantes da região contribuíram com o progresso. O pequeno lugarejo aos poucos foi atraindo novos moradores, como o Sr. Francisco Diógenes Filho, que, percebendo o progresso da nova localidade, decidiu investir, construindo um grandioso casarão datado de 1914. Dois anos depois, mais precisamente em 15 de setembro de 1916, o Sr. Francisco Diógenes se casou com a jovem Caetana Jesumira Gurgel do Amaral, irmã de Tilon Gurgel. Nos anos seguintes, Pedra de Abelha já se encontrava em pleno desenvolvimento.
Para consolidar o progresso do pequeno lugarejo, o Coronel Tibúrcio Gurgel resolveu edificar uma capela no ano de 1918, tendo como padroeira Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, cuja primeira missa foi realizada pelo padre Benedito Basílio Alves. Para essas edificações, foi trazido da cidade de Campo Grande/RN o senhor Vicente Pascoal da Costa, como o primeiro construtor dos casarões e das igrejas do novo distrito. Em 24 de outubro do mesmo ano, no final dos anos 1920, o Distrito de Pedra de Abelha ganhou sua feira livre, onde os pequenos produtores e agricultores traziam seus produtos para serem comercializados. Naquela época, o comércio era feito em um pequeno barracão. Isso fez com que o incipiente lugar fosse elevado à condição de Distrito do Apodi.
A PRIMEIRA EMANCIPAÇÃO DE PEDRA DE ABELHA
O distrito de Pedra de Abelha foi elevado à condição de cidade com o nome de “FELIPE GUERRA” em homenagem a Felipe Neri de Brito Guerra, natural do município de Campo Grande/RN. Ele foi líder da região, deputado às Constituintes de 1891 e 1895, juiz de Direito, desembargador, escritor e secretário de Educação. Aos 17 de dezembro de 1953, através da Lei n° 1.017, tendo como primeiro prefeito Francisco Diógenes, nomeado pelo então Governador Sílvio Pizza Pedrosa. No entanto, os apodienses eram contra a emancipação política de Pedra de Abelha. A partir de então, o Poder Legislativo Apodiense recorreu da decisão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para anular o ato, fato que foi confirmado pelo Supremo Tribunal Federal. O município de Felipe Guerra durou apenas um ano; a lei foi anulada, o prefeito Francisco Diógenes foi exonerado do cargo, e a localidade voltou à condição de Distrito Pedra de Abelha.
Apesar da decepção, os felipenses não desistiram, e em 18 de setembro de 1963, era criado, definitivamente, o município de Felipe Guerra-RN, através da Lei nº 2.926, tendo como primeiro prefeito o Coronel PM José Antônio da Silva, nomeado pelo Governador Aluízio Alves, conforme portaria de 16 de junho de 1964. José Antônio da Silva, que tomou posse em 25 de outubro de 1964, ficou no comando do município até 31 de janeiro de 1965.
O primeiro prefeito constitucional foi o médico Dr. Eilson Gurgel do Amaral, eleito aos 24 de janeiro de 1965, sendo empossado em 31 de janeiro do mesmo ano. Nessa mesma data, tomaram posse os primeiros vereadores que fizeram parte da primeira Câmara Municipal. Foram eles: Cassio Gurgel de Brito, Pedro Balduino, Francisco Canela, Aécio Valentim, Milton Soares de Oliveira, Francisco Ferreira do Rosário, Francisco Chagas da Silva, Antônio Pascoal Filho (Tonho Pascoal), José Celestino de Góis e José Dionísio de Morais.
Fontes:
- Livro: “Do Brejo do Apodi a Felipe Guerra”, autor Geraldo Francisco das Chagas;
- Revista 97 do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, anos 2018/2019;
- Livro: “Teófilo Olegário de Brito Guerra, um memorialista esquecido”. Página 127;
- Livro: “Os Fernandes Pimenta”, autor Luiz Fernando Pereira de Melo. Página 59;
- Livro: “Velhos Inventários do Oeste Potiguar”, autor Marcos Antonio Filgueira. Página 102.
- Página: https://cidades.ibge.gov.br/pesquisas.
